Desenvolvimento de agentes biológicos em massa para o manejo integrado de pragas
Publicação:
Entidade: Unisc
Cidade/Região: Santa Cruz do Sul / Região dos Vales
Proa/Programa: 21/25000000275-9 / Techfuturo
Coordenador: Andreas Köhler
Vigência: 2021-2024
Objetivo Geral: Desenvolver criação em massa de hospedeiros, visando a produção em larga escala do parasitoide larval Anisopteromalus calandrae e do parasitoide de ovos Telenomus podisi, agentes biológicos de controle para as principais cadeias agrícolas do Rio Grande do Sul.
Sumário: Lasioderma serricorne (Coleoptera: Ptiliidae) é considerado uma praga de produtos armazenados e é responsável por enormes prejuízos econômicos, com perdas de grãos e sementes na pós-colheita, produtos alimentícios embalados e itens e bens derivados de animais e plantas. Conforme já diz o nome popular, o besouro do fumo é uma das principais pragas do tabaco seco, tanto em maços de cigarro acabados quanto em estoques e fardos de folhas não beneficiadas.
O público-alvo para utilizar o parasitoide Anisopteromalus calandrae (Hymenoptera: Pteromalidae) como bioinsumo são as empresas do ramo fumageiro ou qualquer cadeia produtiva de grãos e folhas secas, que apresentam problemas com besouros, carunchos. Além disso, o produto também poderia ser aplicado nos armazéns pós-colheita nas propriedades dos produtores ou intermediários.
Em campo, o percevejo marrom Euschistus heros (Hemiptera: Pentatomidae) é uma praga- chave da cultura de soja em várias regiões do Brasil, principalmente nas de clima quente. Esse inseto pode ocasionar danos irreversíveis à cultura, pois, para se alimentar, suga diretamente os grãos de soja, o que acarreta redução na produção e na qualidade das sementes. O parasitoide Telenomus podisi (Hymenoptera: Scelionidae) é o inimigo natural deste percevejo e vem mostrando altas taxas de controle com liberações em massa. Além disso, o produto também poderia ser aplicado para controle de outros percevejos na cultura do arroz, tabaco, milho, entre outras.
Assim, a presente proposta visa aprimorar a criação dos hospedeiros, visando a produção em larga escala do parasitoide larval A. calandrae e do parasitoide de ovos T. podisi. A disponibilização de parasitoides de boa qualidade ao usuário é imprescindível, já que a falta desse requisito constitui o grande entrave à popularização do controle biológico no Brasil. Atualmente existe um enorme interesse na utilização dessa alternativa, mas nem sempre os insetos estão disponíveis para a compra e, quando estão, os insumos biológicos nem sempre têm a qualidade desejada. Portanto, os agentes biológicos controladores serão produzidos baseando-se em técnicas convencionais que serão aprimoradas, adaptando-as à realidade regional, especialmente com relação às condições climáticas e na aquisição de componentes de dietas artificiais para criação, reduzindo o custo da mão-de-obra e acompanhando as características biológicas ao longo das gerações para garantir a qualidade do inseto produzido, bem como o seu desempenho em condições de campo.
Resultados Obtidos:
- Identificação da melhor condição abiótica para a produção em larga escala de Laioderma serricorne e Euschistus heros, sendo testadas 5 diferentes temperaturas, 5 diferentes condições de fotoperíodos e 2 diferentes condições de umidade com pelo menos 50 indivíduos em cada teste;
- Identificação da melhor formulação de dieta para a produção em larga escala de Laioderma serricorne, sendo testadas 6 diferentes formulações de farinhas (integral, branca, farelo e levedura), com pelo menos 50 indivíduos em cada condição;
- Identificação da melhor formulação de dieta para a produção em larga escala de Euschistus heros, sendo testadas 10 diferentes dietas contendo amendoim, feijão, lentilha, ervilha, milho, sementes de girassol, crotalária, grão-de-bico, soja e vagem, bem como os produtos frescos sob diferentes condições de preservação (congelamento, secagem e in natura), com pelo menos 50 indivíduos em cada condição;
- Desenvolvimento e testagem de pelo menos 12 diferentes formas de liberação massal em embalagens de pelo menos 4 volumes e 3 formas diferentes, sendo elas cartelas, tubetes e cápsulas com material biodegradável.
- Desenvolvimento e testagem de 2 espécies de vespas parasitoides como vetoras de pelo menos 4 espécies de fungos entomopatógenos (2 espécies conhecidas e 2 espécies por identificar) a serem liberadas por drone no cultivar.
- Elaboração e divulgar de um relatório de viabilidade técnica dos testes realizados no projeto discutindo os resultados obtidos e indicando formas e procedimentos para sua implementação em empresas (transferência tecnológica);
- Desenvolvimento e disponibilização de curso com no mínimo 10h/aula de forma online e gratuito em plataforma moodel para pelo menos 10 profissionais/empresários do setorprodutivo sobre controle biológico e os resultados obtidos nos estudos de condições abióticas, formulação de dietas, formas de liberação e uso de vetores.