Desenvolvimento de bipeptídeos bioativos a partir do aproveitamento do soro de queijo para novos produtos
Publicação:
Entidade: Univates
Cidade/Região: Lajeado / Região dos Vales
Proa/Programa: 22/25000000199-5 / Techfuturo
Coordenador: Cláucia Feranda Volken de Soza
Vigência: 2022-2025
Objetivo Geral: A proposta, considerando os aspectos da bioeconomia, visa o desenvolvimento de tecnologias para a produção de hidrolisados proteicos a partir de resíduo gerado pela matriz produtiva gaúcha com vistas à aplicação como suplementos nutracêuticos.
Sumário: Considerando as Regiões funcionais do Estado, o Vale do Taquari e o Vale do Rio Pardo, compõem a Região Funcional 2 (RF2), ambas com características econômicas muito semelhantes. O setor produtivo mais tradicional da RF2 destaca as atividades de base agrícola fundamentada no fumo, milho, arroz e soja, cuja dependência econômica gera preocupação quanto ao futuro da atividade perante a tendência de aumento das restrições mundiais ao tabaco. Além disso, a perda de competitividade dos setores dominantes, em especial de fumo, aves e suínos, é um fator restritivo para o desenvolvimento regional, tornando essencial que haja diversificação da sua produção que é, na quase totalidade, sustentada por propriedades rurais de pequeno porte. Enquanto que no Vale do Rio Pardo os principais segmentos industriais estão focados nos produtos do fumo, no Vale do Taquari, a estrutura industrial é mais diversificada, com destaque para a fabricação de produtos alimentícios, com produção correspondente a 13,08% do segmento no Estado. Apesar do Produto Interno Bruto Industrial ser dominante na RF2, há forte influência da agricultura na economia. O agronegócio é o grande propulsor da atividade produtiva regional, além disso, sabe-se da necessidade do desenvolvimento tecnológico para alavancar o crescimento do agronegócio, em especial vinculado à produção de alimentos, de forma sustentável, no qual a biotecnologia pode fornecer este suporte.
A Univates está localizada na região do Vale do Taquari, que contempla a produção de uma variada gama de produtos de origem animal, onde se destacam o leite e seus derivados. A produção leiteira no Vale do Taquari passou por expressivas mudanças nos últimos anos.
Atualmente cada propriedade produz em média 110 litros/dia, atingindo um total no Vale de mais de 321 milhões de litros/ano. O rebanho leiteiro possui cerca de 104 mil animais em ordenha que produzem, em média, 3.078 litros/vaca/ano, em cada uma das 7.962 unidades de produção familiar.
O projeto emprega ferramentas de biotecnologia, uma tecnologia portadora de futuro, com aderência às áreas de saúde, na concepção de insumo para produtos nutracêuticos de fabricação totalmente nacional, reaproveitando um coproduto da agroindústria de laticínios. Desta forma, se enquadra na Região dos Vales na linha temática de saúde, porém tangenciando as áreas de agroindústria, ao indicar uma possibilidade de reuso do soro de queijo, que se descartado incorretamente é prejudicial ao meio ambiente. Considerando a vocação do Vale do Taquari na produção de leite, se justifica a busca por alternativas de uso do soro de queijo, dado seu volume de geração, pois para cada 1 kg de queijo produzido, são gerados aproximadamente 9 litros de soro de queijo. Neste contexto, essa proposta de projeto, além de considerar o destaque da Região dos Vales do RS na produção de alimentos, está vinculada ao crescente desenvolvimento da indústria de nutracêuticos, frente à busca pela saudabilidade por meio da alimentação e suplementação. O mercado de suplementos alimentares no Brasil apresenta contínuo crescimento nos últimos anos, devido à preocupação com a saúde e estética, configurando-se um mercado promissor para investimentos.
Resultados Esperados:
- Produção de, no mínimo, 1 (um) concentrado e 1 (um) isolado proteico de soro de queijo em pó com no mínimo 30% m/m e 90% m/m de proteína, respectivamente;
- Produzir, no mínimo, 2 hidrolisados proteicos em pó contendo biopeptídeos com atividade antimicrobiana, antioxidante, antihipertensiva e anienvelhecimento com no mínimo 50% superior ao soro de queijo em pó não hidrolisado;
- Produção de, no mínimo, 2(dois) hidrolisados proteicos em pó contendo no mínimo 1g/100 de cada um do aminoácido de cadeia ramificação (BCAA), leicina, isoleucina e valina, na forma livre, e com alergenicidade no mínimo 50% inferior ao soro de queijo em pó não hidrolisado;
- Elaborar a viabilidade econômica dos processos de elaboração em escala industrial dos produtos desenvolvidos, no mínimo: 1 (um) concentrado e 1 (um) isolado proteico de soro de queijo em pó e 4 (quatro) hidrolisados proteicos em pó;
- Realizar 1 (um) curso teórico-prático sobre o aproveitamento de resíduos e subprodutos agroindústrias com carga horária de 8 (oito) horas, com participação de, pelo menos, 12 (doze) pessoas oriundas do setor produtivo relacionado à pesquisa, de pelo menos 3 diferentes empresas ou agroindústrias, e
- Realizar 1 (um) curso teórico-prático apresentando as biotecnologias desenvolvidas no projeto para o aproveitamento do soro de queijo in natura, com duração de 4 (quatro) horas, com participação de, pelo menos, 12 (doze) pessoas oriundas do setor produtivo relacionado à pesquisa, de pelo menos 3 diferentes empresas ou agroindústrias.