Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia
Início do conteúdo

Unidade de referência científica e tecnológica em sistemas integrados de produção agropecuária na Região Produção e Norte

Publicação:

Entidade: IFFAR
Cidade/Região: Frederico Westphalen / Região Produção e Norte
Proa/Programa: 22/25000000241-0 / Inova
Coordenador: Rangel Fernandes Pacheco
Vigência: 2023-2025

Objetivo Geral: Desenvolver uma unidade de referência científica e tecnológica para geração de P,D&I e difusão de conhecimento voltada à intensificação sustentável na região Produção e Norte, a partir da implantação de módulos de sistemas integrados de produção agropecuária.

Sumário: A ONU vem trabalhando em 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), firmados em 2015 entre 150 países, a chamada Agenda 2030, que visa acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Mas para que eles sejam alcançados, a matriz produtiva de grande parte dos sistemas econômicos deverá passar por uma mudança tecnológica, conceitual e política sem precedentes.
Na esteira da geração de tecnologias, investimentos direcionados para o aumento da produtividade agrícola, geram impactos tanto no crescimento econômico como na redução da pobreza, sendo uma das forças mais confiáveis e potentes ao desenvolvimento social e econômico. Portanto, a transformação rural sustentável (inclusiva) depende da agricultura, mas demanda que políticas agrícolas distintas sejam adotadas em diferentes estágios da transformação rural. Durante décadas os principais modelos agropecuários de produção difundidos no Brasil basearam-se apenas nos aspectos econômicos, o que levou à sobre especialização das atividades agropecuárias além dos limites da sustentabilidade. Gerar um cenário que concilia a produção de alimentos, fibras e biocombustíveis, com a preservação dos recursos naturais, utilizando-se dos princípios da intensificação sustentável e de outras vertentes conservacionistas, representa hoje um desafio de alta evidência.
Em resposta a isso, os sistemas integrados de produção agropecuária (SIPA), têm sido reconhecidos como o futuro da alimentação do planeta. Tal abordagem produtiva é considerada a principal via sustentável para alimentar nove bilhões de pessoas em 2050. Isso porque, os SIPA são capazes de incrementar a resiliência ambiental pelo aumento da diversidade biológica; pela efetiva e eficiente ciclagem de nutrientes, acarretando em melhoria da qualidade do solo; reduz os custos de produção, mantendo níveis de produtividade elevados; e ainda produz inúmeros serviços ecossistêmicos. No Brasil, a área com algum tipo de adoção de sistemas integrados abrange 11,5 milhões, o que é equivalente a 4,84% dos 237,5 milhões de hectares ocupados pelas atividades agropecuárias, representando o potencial de expansão deste modelo nas áreas agrícolas brasileiras. Além do impacto ambiental e produtivo o SIPA se tornou notório, após ser incluído na agenda da produção agrícola mitigadora dos gases de efeito estufa (Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), pois vem sendo reconhecido como promovedor de sequestro de carbono.
A FAO também reconhece o SIPA como promotor de melhorias dos processos de produção; melhor aproveitamento de mão de obra; maior resiliência a fatores econômicos e diminuição do risco das atividades agrícolas. Na perspectiva sociocultural, os sistemas integrados permitem aos produtores rurais atingir aspirações sociais e almejar dinâmica social equânime (particularmente para mulheres e jovens), promovendo segurança alimentar enquanto sejam sistemas que se ajustam aos anseios atuais dos consumidores quanto à qualidade dos produtos e dos processos de produção. Além de representar solução para a demanda crescente de alimentos, os sistemas integrados apresentam grande potencial de mitigação da emissão de gases de efeito estufa, se apresentando como a melhor resposta do meio rural aos apelos da comunidade internacional nesse sentido.
O principal projeto do governo brasileiro voltado à sustentabilidade dos sistemas produtivos agropecuários é o ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), que visa a mitigação e adaptação às mudanças climáticas para a consolidação de uma economia de baixa emissão de carbono na Agricultura.
Embora a região Produção e Norte venha desenvolvendo ações alinhadas à intensificação sustentável, ainda carece de uma unidade de referência em ciência e tecnologia para realização de PD&I e difusão de conhecimentos voltados à intensificação sustentável na agricultura. Uma alternativa, é a unidade do Instituto Federal Farroupilha Campus Frederico Westphalen (campus FW), o qual situa-se em uma região estratégica, onde a agricultura familiar é a força motriz da agricultura da região. A Mesorregião Noroeste do Rio Grande do Sul, é caracterizada pela diversidade social e cultural do meio rural e com sistemas produtivos à base de agricultura familiar. A região também conta com médias e grandes agroindústrias de derivados de carne suína, aves e lácteos e ainda possui a maior concentração de agroindústrias familiares do Rio Grande do Sul, além de um número expressivo de cooperativas. Também se caracteriza por apresentar uma parte significativa da produção agropecuária do Estado, em particular, nas atividades de produção de leite, suínos, aves e de fruticultura – citros e uvas e seu beneficiamento de cereais como: milho e feijão. É perceptível que a região possui vocação para o desenvolvimento de práticas voltadas à adoção de sistemas SIPA, de modo que implementar uma proposta dessa magnitude em uma instituição como a do campus FW, representa um movimento estratégico de desenvolvimento rural alinhado com as concepções do INOVA RS de alto impacto regional.

Resultados Esperados:
- Gerar sistemas de produção agropecuários que incrementem a produtividade com menor impacto ambiental;
- Customizar sistemas integrados de produção agropecuária às realidades da região Produção e Norte;
- Oportunizar pesquisadores e entidades da quádrupla hélice local a desenvolverem pesquisas e testarem produtos alinhados à intensificação sustentável e sistemas SIPA;
- Sensibilizar o ecossistema de inovação da região Produção e Norte para modelos de produção agropecuários que adotem práticas sustentáveis de produção.

Locais

Inova RS