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Comitê Científico explica rastreamento digital de contatos com smartphones

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Por Raiza Roznieski

O distanciamento social tem sido uma das principais medidas adotadas para reduzir a transmissão pelo novo coronavírus no mundo, sendo uma das principais abordagens no Rio Grande do Sul. Contudo, pode ser insuficiente quando não adotado de forma expressiva pela sociedade. Assim, uma alternativa complementar é procurar e isolar, de forma proativa, os indivíduos com alta probabilidade de estarem infectados.

Segundo o Comitê Científico gaúcho de apoio ao enfrentamento da pandemia Covid-19, em nota técnica divulgada neste sábado (16), esta abordagem tradicional de rastreamento de contatos é limitada. Isso porque envolve identificar um indivíduo infectado e os demais que ele teve contato. Com a ampla circulação de smartphones na população, o rastreamento digital de contatos é uma alternativa mais eficaz, sendo utilizada em diversos países por meio da tecnologia bluetooth, comunicação de rádio de curto alcance. 

“Cada celular emite um sinal bluetooth que o identifica e, ao mesmo tempo, registra a presença de dispositivos próximos (tipicamente menos de 2 metros), mantendo uma lista de identificadores de aparelhos que estiveram em proximidade ao longo do tempo. Quando o usuário indica que testou positivo (sendo usualmente necessária a confirmação oficial de médico ou laboratório), a lista de identificadores é utilizada para enviar notificações aos aparelhos que estiveram em proximidade do usuário infectado”, explica um trecho da nota técnica.

O Comitê Científico faz uma análise técnica dos dois tipos de sistemas, os centralizados e os descentralizados. Em ambos os casos, o usuário que testa positivo deve informar o aplicativo. No modo centralizado, um servidor na nuvem recebe a lista completa de identificadores de todos celulares usando o aplicativo e dispara as notificações. Já no descentralizado, cada celular é responsável por perguntar ao servidor se algum identificador na sua lista testou positivo, se for o caso, o servidor alerta o usuário. 

“É importante observar que estas aplicações, centralizadas ou descentralizadas, não precisam coletar informações de localização ou de identidade do usuário para funcionarem -- são diferentes de aplicações que permitem medir índices de mobilidade, que necessitam da localização exata do aparelho”, alertam os especialistas, completando que o uso no território brasileiro deverão respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

Citando a iniciativa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o CovidApp, e exemplos globais, o grupo acredita que o uso de aplicativos de rastreamento digital de contatos será uma realidade em breve. Alertam ainda que é difícil quantificar o tamanho do impacto deste método de combate, especialmente com relativa baixa adoção. 

“Como no caso de quarentenas obrigatórias, há um balanço entre liberdade/privacidade e saúde pública. Diferentes países se posicionam em diferentes locais deste espectro e ainda é cedo para dizer onde o Brasil, ou o RS, se posicionará”, concluem, citando uma lista de aspectos que devem ser observados antes de ser adotado o rastreamento digital de contatos.

Confira a íntegra da nota técnica:  Comitê Científico Carta 09 20200516 (.pdf 401,70 KBytes)
 

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