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Missão governamental e empresarial por Estônia, Suécia e Israel faz balanço dos resultados

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Balanço Missão
Governo de Israel considera que cada US$ 1 investido em inovação é capaz de gerar de US$ 5 a US$ 8 - Foto: Alexandre Elmi/Secom
Por Alexandre Elmi/Secom

Estônia, Suécia e Israel têm em comum muito mais do que o uso intensivo de tecnologia para caracterizar suas estratégias de desenvolvimento e seus modelos de sociedade. A viagem de 13 dias da comitiva governamental e empresarial do Rio Grande do Sul pelos três países permitiu verificar que com foco, planejamento e integração – exatamente como fizeram as três nações – é possível obter resultados expressivos quando o assunto é compartilhar os benefícios da inovação.

Os três países ensinaram lições distintas e complementares aos integrantes da comitiva, tanto em resultados econômicos como em benefícios sociais. Na Estônia, por exemplo, o grupo conheceu os efeitos de política de governo 100% digital, por meio da qual o cidadão acessa todos os serviços fundamentais, públicos e privados, inclusive a possibilidade de votar à distância.

A forma como o país interliga a presença digital – por meio de diversas ações, parte delas com a e-Governance Academy (eGA, a Academia de Governança Digital) – criou um ambiente favorável à inovação e à mentalidade de geração de negócios digitais. Não é à toa que a ex-república soviética também se transformou em território fértil à proliferação de startups e de negócios ligados à cibersegurança.

De acordo com o diretor-geral do Escritório de Desenvolvimento de Projetos (EDP), Hiparcio Stoffel, a experiência da Estônia indica caminhos para o projeto de governo digital, o RS Digital, lançado no início de novembro com o portal unificado rs.gov.br. “Percebe-se claramente que a agenda digital não é uma agenda técnica, mas uma agenda estratégica”, afirmaStoffel.

O diretor-geral do EDP destaca dois princípios que tornam inspiradora a experiência estoniana. Um deles é a identidade digital única e segura, que todo cidadão estoniano deve ter. Outro aspecto, a extensão dos serviços oferecidos. Ambos, combinados, são fundamentais como alicerces da confiança da população no governo digital.

A Estônia também avançou, rapidamente, na constituição de ambientes colaborativos, em que todos os elos ligados à inovação conseguem entrar em sinergia para produzir os melhores resultados. O grupo conheceu o Tehnopol, um parque tecnológico desenvolvido pelo governo do país, pela cidade de Tallinn e pela TalTech (Universidade Técnica de Tallin).

Para Alessandra Dahmer, pró-reitora de Planejamento da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), uma das integrantes da comitiva, os ecossistemas de inovação visitados são modelos que confirmam a potência da articulação que já existe no Estado. “A missão foi muito importante para confirmar que o Estado está no caminho certo, ao reunir governo, universidades e empresas na construção de um ecossistema de inovação”, comenta.

Na passagem por Tallinn, capital da Estônia, foi assinado um Memorando de Entendimento por meio do qual as secretarias de Inovação, Ciência e Tecnologia e de Governança e Gestão Estratégica do Estado entraram em acordo com a e-Governance Academy. Ficou acertada uma parceria para trocar experiências em governo digital, além de permitir a realização de pesquisas e treinamentos entre o Estado e o país báltico.

A assinatura do memorando na Estônia – assim como a de um documento semelhante firmado com a empresa AEL Sistemas, subsidiária a Elbit Systems, em Israel – foi destacada pelo secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia, Luís Lamb, como prova de que a missão foi planejada para produzir resultados concretos na aproximação tecnológica.

De acordo com Lamb, o formato da comitiva, envolvendo representantes dos setores da tripla hélice, foi elogiado pelos anfitriões como um indício de que o Rio Grande do Sul está se preparando da maneira correta. “Fizemos a missão a três países que têm características semelhantes ao Rio Grande do Sul. Temos de olhar para experiências vencedoras, em contextos similares aos nossos”, analisa Lamb.

Na Suécia, foi possível observar como se dá a integração entre empresas, universidades e parques tecnológicos, sobretudo no desenvolvimento de aplicações inteligentes para cidades digitais, governos digitais e saúde digital.

Na visita ao centro de pesquisa da gigante Ericsson, o grupo conheceu o avançado estágio de investimento da empresa em 5G, a próxima fronteira da conexão digital entre dados, pessoas e máquinas.

Reuniões técnicas no Research Institutes of Sweden (Rise), a principal organização de pesquisa aplicada do país, e no Kista City Center, ligado à Universidade de Estocolmo e considerado um modelo de parque tecnológico pelo nível de integração entres os elos da inovação, também mostraram que é necessário intensificar a operação entre universidades, empresas e governos.

“Na Suécia, há uma clara definição dos papéis de cada um dos atores, gerando resultados expressivos. Além disso, percebe-se que a estratégia permanece mesmo com a mudança dos líderes políticos, o que caracteriza uma política de Estado”, comenta Leonardo Neves, diretor do departamento de Promoção Comercial e Assuntos Internacionais da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo.

Economia que deriva do conhecimento

No terceiro trecho da viagem, em Israel, o grupo aprofundou a compreensão sobre os motivos que levaram um país com área semelhante a Sergipe a converter-se em uma potência tecnológica, líder na relação entre investimento em pesquisa e Produto Interno Bruno (PIB), com 4,3%. Em Israel, presenciam-se os efeitos provocados pela aposta na economia que deriva do conhecimento.

O ambiente de inovação em Israel é tão rico que já tem sido capaz de gerar impacto global com startups que nasceram ali. O Waze é um exemplo, adquirido por US$ 1 bilhão pelo Google. Outro exemplo é o Mobileye, um sistema de sensor para automação veicular que foi adquirido pela Intel por US$ 15 bilhões. A comitiva visitou a empresa de transferência de tecnologia pela qual passou o processo de desenvolvimento do Mobileye, a Yissum, vinculada à Universidade Hebraica, de Jerusalém.

Duas visitas a unidades da Elbit Systems, uma em Rehovot e outra em Haifa, permitiram entender a forma como Israel age para expandir os efeitos das conquistas tecnológicos. Nos casos visitados, a Elbit demonstrou soluções para monitoramento e vigilância de áreas urbanas e para combate aéreo de incêndios que nasceram a partir de necessidades específicas apresentadas pela defesa militar do país.

Uma das lições mais impressionantes da passagem por Israel é como o país tem uma noção muito clara dos seus limites e do que deseja alcançar. Em outras palavras: planejamento. “O foco para atuar naquilo que podem competir globalmente chamou a atenção. Nos três países, o mais importante é a economia do conhecimento. Até as empresas militares, que tinham uma visão fechada, estão trabalhando com open innovation”, comenta Rovanir Baungartner, gerente de Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RS).

Além de foco, Israel ensina a como apoiar o desenvolvimento das empresas, apoiando o risco inevitável de toda a atividade empreendedora e mantendo o ecossistema sempre permeável às companhias de todos os portes, inclusive àquelas que desejam nascer e se desenvolver.

CEO do Grupo Marven e diretora-presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação – Regional RS (Assespro-RS), Aline Deparis destaca a forma como o país valoriza o conhecimento. “Nos três países, valoriza-se a tecnologia para oferecer à sociedade um lugar melhor para se viver, com mais igualdade e respeito ao próximo. Muito do que aprendi nesse período vou colocar em prática nas empresas, para gerar mais oportunidades de negócio”, afirma a empresária.

Outro tópico relevante em Israel e nos demais países são os mecanismos de apoio financeiro à inovação, suportando o risco, inclusive admitindo a possibilidade de o empresário tentar e errar. Assessor de Fundos de Investimento e Participação do Badesul, Elias Rigon entende que o Brasil precisa vencer alguns tabus para se tornar mais competitivo. “Os países apostam em capital de risco e dinheiro a fundo perdido, não apenas para apoiar pesquisa, mais o surgimento de startups. Israel já fez a conta: para cada US$ 1 de apoio a startups, incrementa de US$ 5 a US$ 8 no PIB”, projeta Rigon.

Paralelamente às agendas focadas em inovação, a Secretaria da Segurança Pública visitou instituições e fornecedores nos três países, em busca de soluções. De acordo com o coronel Marcelo Frota, secretário adjunto da Segurança Pública, o Rio Grande do Sul atravessa um contexto oportuno. Por um lado, o Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública (Piseg-RS) incentiva os investimentos privados em segurança pública. Por outro, o RS Seguro, o programa transversal da área da segurança, trabalha a partir de parâmetros que estimulam o uso de informações e de inteligência.

Entre as agendas da segurança pública em Israel, destacaram-se o encontro na Elbit Systems, onde o representante da SSP pôde aprofundar o conhecimento sobre sistemas de monitoramento, na Cortica, que desenvolveu um sistema de reconhecimento facial com uso de inteligência artificial, e na NetLine, empresa dedicada a bloqueadores de celulares e equipamentos para inibir o voo de drones em áreas críticas, como presídios e aeroportos.

De acordo com Frota, no caso da NetLine, a tecnologia permite não só bloquear de forma seletiva, apenas nas áreas de presídios, sem afetar as redondezas, como também interceptar as ligações e obter informações sobre ações criminosas. “Nós vimos em Israel muitas coisas que já temos no Rio Grande do Sul, mas que precisamos reforçar, como é o caso das ferramentas eletrônicas”, afirma Frota.

Os deputados estaduais Tiago Simon e Adolfo Brito acompanharam as agendas de segurança da comitiva. Em Israel, Simon esteve ao lado de Frota nas visitas às empresas. Além de integrantes do governo do Estado e empresários, participaram representantes da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), da Universidade de Passo Fundo (UPF), da Imed, da Fábrica do Futuro, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), da Federação Israelita do Rio Grande do Sul e da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação – Regional RS (Assespro-RS).

De tudo o que se viu no roteiro, uma das lições mais impactantes foi a necessidade de trabalhar por uma mudança de mentalidade, que, sem abrir mão de vocações, potencialidades e do trabalho já feito até na arquitetura de ecossistemas tecnológicos, conecte o Rio Grande do Sul à economia do conhecimento. “Mais do que recursos financeiros e tecnologia, é preciso lideranças. A cultura, os processos e as pessoas é que fazem a diferença num processo de disrrupção, era dos limites, da informação e do conhecimento”, pondera José Cláudio dos Santos, vice-presidente do Badesul.

Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia